HABILIDADES - BNCC
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Nesta página, você conhecerá os principais tipos de solos do município de Cuiabá, com destaque para o Plintossolo Pétrico, caracterizado pela presença de concreções ricas em ferro que formam uma camada endurecida no subsolo. A partir da análise do mapa pedológico, será possível compreender a distribuição dos solos no território e sua relação com as rochas, o relevo, a drenagem, a vegetação e o uso da terra, bem como as limitações para a agricultura e a ocupação urbana. Os conteúdos abordados permitem o desenvolvimento de habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de forma contextualizada à Geografia local de Cuiabá, contemplando o Ensino Fundamental Anos Finais e respeitando o currículo nacional e valorizando o território vivido pelos estudantes. Os temas abordados nesta página, podem ser adaptados também, para o Ensino Fundamental Anos Iniciais e o Ensino Médio.
Habilidades - Ensino Fundamental Anos Finais (6° ao 9° ano):
(EF06GE05) Relacionar padrões climáticos, tipos de solo, relevo e formações vegetais.
(EF06GE10) Explicar as diferentes formas de uso do solo (rotação de terras, terraceamento, aterros etc.) e de apropriação dos recursos hídricos (sistema de irrigação, tratamento e redes de distribuição), bem como suas vantagens e desvantagens em diferentes épocas e lugares.
(EF07GE07) Analisar a influência e o papel das redes de transporte e comunicação na configuração do território brasileiro.
(EF07GE09) Interpretar e elaborar mapas temáticos e históricos, inclusive utilizando tecnologias digitais, com informações demográficas e econômicas do Brasil (cartogramas), identificando padrões espaciais, regionalizações e analogias espaciais.
(EF09GE14) Elaborar e interpretar gráficos de barras e de setores, mapas temáticos e esquemáticos (croquis) e anamorfoses geográficas para analisar, sintetizar e apresentar dados e informações sobre diversidade, diferenças e desigualdades sociopolíticas e geopolíticas mundiais.
SOLOS DO MUNICÍPIO DE CUIABÁ - MT
Prof. Me. Samuel Matiazo
Disc. Pedro Joaquim de Souza Nunes Neto
O solo é a fina camada da superfície terrestre onde a vida se desenvolve, sustentando plantas, abrigando pequenos animais e armazenando água. Ele se forma ao longo de milhares de anos pela degradação das rochas (intemperismo) e pela decomposição de matéria orgânica, sendo resultado da ação conjunta do clima, do relevo, dos organismos e do tempo. Quando observado em profundidade, revela-se organizado em camadas que são denominadas horizontes: na parte superior, a matéria orgânica confere cor e fertilidade; logo abaixo, o solo se torna mais mineral e compacto, acumulando ferro, argila e nutrientes; até atingir a camada mais profunda, composta por fragmentos da rocha que lhe deu origem (Figura 1).
Conforme o mapa simplificado dos Solos do Município de Cuiabá - MT, a classe de solos do tipo Plintossolo Pétrico predomina em grande parte do território e são solos derivados do processo de fragmentação e decomposição das rochas metassedimentares do Grupo Cuiabá. Os solos desse tipo apresentam algumas características, como: solos predominante rasos e pouco desenvolvidos; apresentam uma camada com material endurecido - plintita - e quando endurece irreversivelmente - petroplintita; apresenta sérias restrições ao uso agrícola, sendo utilizado principalmente para o pastoreio extensivo (Figuras 2, 3 e 4.
Intemperismo: é o conjunto de processos naturais de desgaste e decomposição das rochas que ocorre no próprio local, causado pela ação da água, do vento, das variações de temperatura e dos organismos vivos.
Matéria orgânica: material de origem vegetal ou animal, em decomposição ou não, essencial para a vida, funcionando como alimento para microrganismos, fonte de nutrientes para plantas, melhorando a estrutura do solo, retenção de água e atividade biológica.
Horizontes: são as camadas que se formam ao longo do perfil do solo, resultado de processos como intemperismo, decomposição de matéria orgânica e ação da água. Cada horizonte possui características próprias de cor, textura e composição, como o horizonte O (rico em matéria orgânica), A (mais fértil e escuro), E (camada clara, onde ocorre a lixiviação, com perda de argila, ferro e matéria orgânica), B (acúmulo de minerais), C (material de origem) e R (rocha). Esses horizontes ajudam a compreender a formação, a fertilidade e o uso do solo.
Plintossolo: indica que o solo é composto por plintita (material argiloso rico em ferro que endurece quando seco).
Pétrico: refere-se à presença de petroplintita (concreções ferruginosas endurecidas) em quantidade significativa.
Pastoreio extensivo: é quando os animais, como bois e vacas, ficam soltos em grandes áreas, alimentando-se do capim natural. Nesse tipo de criação, há pouco cuidado com o solo e com a pastagem, e, quando não é bem controlado, pode causar desgaste do solo e do ambiente.
Figura 2. Representação generalista do perfil do solo, mostrando seus principais horizontes. Ressalta-se que os solos apresentam horizontes diversos. Cada horizonte possui características próprias de cor, textura e composição, como o horizonte O (rico em matéria orgânica), A (mais fértil e escuro), E (camada clara, onde ocorre a lixiviação, com perda de argila, ferro e matéria orgânica), B (acúmulo de minerais provenientes das camadas superiores), C (material de origem com muitos fragmentos de rocha) e R (rocha). Esses horizontes ajudam a compreender a formação, a fertilidade e o uso do solo.
Fonte: Imagem gerada por IA.
Figura 2. Na imagem, observa-se um perfil de Plintossolo Pétrico, desenvolvido em relevo plano, no município de Cuiabá. 1 - Horizonte superficial (A) apresenta coloração mais escura, associada à presença de matéria orgânica. 2 - Logo abaixo, ocorre um horizonte E, de coloração mais clara, resultado do processo de eluviamento (lavamento) pela infiltração de água. 3 - Em profundidade, identifica-se o horizonte plíntico, de coloração avermelhada, com maior grau de endurecimento, decorrente da concentração de argila e óxidos de ferro.
Fonte: THOMÉ FILHO, Jamilo José (Org.), 2004: Sistema de Informação Geoambiental de Cuiabá, Várzea Grande e entorno – SIG, pg. 146.
Figura 3. A imagem mostra a camada de concreções ferruginosas exposta na superfície, evidenciando a ausência dos horizontes A e E do Plintossolo Pétrico. Essa condição indica a remoção dos horizontes superficiais, possivelmente por processos erosivos ou por ação antrópica, deixando visível o horizonte plíntico endurecido (petroplitita).
Localização: rua 01, esquina com a rua 02, bairro Santa Cruz.
Fonte: acervo digital da Liga Escola de Geografia - LEG (2025).
Figura 4. Em Cuiabá, é comum encontrar concreções ferruginosas utilizadas na arquitetura de construções históricas, especialmente como elemento ornamental em muros e paredes, como nos muros da Paróquia Nossa Senhora do Rosãrio e São Benedito. Essas concreções são fragmentos endurecidos ricos em óxidos de ferro, provenientes de plintossolos da região, que foram incorporados às edificações por estarem facilmente disponíveis no ambiente local.
Localização: Av. Coronel Escolástico.
Fonte: acervo digital da Liga Escola de Geografia - LEG (2025).
Outros tipos de solos encontrados no município de Cuiabá e pouco desenvolvidos, referem-se aos Cambissolo Háplico, Neossolo Litólico e Neossolo Quartzarênico. O Cambissolo Háplico, é um solo jovem, ainda em processo de formação, ocorrendo com maior frequência em áreas de relevo mais acidentado. O Neossolo Litólico caracteriza-se por serem solos rasos e jovens, com presença significativa de fragmentos de rocha próximos à superfície (Figura 4). O Neossolo Quartzarênico é um tipo de solo caracterizado por sua textura extremamente arenosa (rica em quartzo), baixa fertilidade natural, baixa capacidade de reter água e nutrientes. Esses três tipos de solo, em Cuiabá, apresentam sérias restrições ao uso agrícola, principalmente devido à pouca profundidade, baixa fertilidade natural e maior suscetibilidade à erosão. O Latossolo Vermelho - Amarelo é um dos solos mais comuns no Brasil, e em Cuiabá, está localizado em relevo mais plano, na porção sul e sudeste do município. É caracterizado por ser um solo mais profundo, com baixa fertilidade natural, de cor variando entre o vermelho e o amarelo, sendo bastante permeável.
Cambissolo Háplico: é um solo jovem, com início de desenvolvimento dos horizontes, mas ainda pouco evoluído. Apresenta um horizonte B inicial, resultado de processos como alteração da rocha e início da formação do solo. O termo háplico indica que ele não possui características especiais adicionais, sendo o tipo mais comum dessa classe. Geralmente ocorre em áreas de relevo ondulado e tem fertilidade variável.
Neossolo Litólico: é um solo muito jovem e raso, com pouca ou nenhuma diferenciação de horizontes. Caracteriza-se por ter a rocha ou material de origem muito próximo da superfície, o que limita o uso agrícola. O termo litólico refere-se justamente à presença da rocha logo abaixo do solo, sendo comum em áreas de relevo mais acidentado.
Neossolo Quartzênico: é um solo jovem, profundo e muito arenoso, formado predominantemente por quartzo. Possui baixa fertilidade natural e pouca capacidade de retenção de água e nutrientes. O termo quartzarênico indica o predomínio de areia quartzosa, sendo comum em áreas de depósitos arenosos e antigas superfícies sedimentares.
Latossolo: é um solo muito profundo e bem desenvolvido, formado por intenso intemperismo. Apresenta horizontes homogêneos, textura geralmente média a argilosa e ocorre, em geral, em áreas de relevo plano a suavemente ondulado. Possui baixa fertilidade natural, mas é amplamente utilizado na agricultura com correção e manejo adequados.
Permeável: permeável é o solo que permite a infiltração da água com facilidade, devido à presença de poros entre suas partículas. Solos permeáveis favorecem a drenagem e reduzem o escoamento superficial, influenciando diretamente no comportamento da água no solo.
Figura 4. Perfil do Neossolo Litólico, localizado em relevo acidentado. A imagem apresenta um perfil de solo raso, com pouca ou nenhuma diferenciação dos horizontes, sendo pouco desenvolvido (1), o que indica um solo jovem com forte influência do material de origem (veios de quartzo) com grande quantidade de fragmentos de quartzo que vão até a superfície (2).
Localização: rodovia MT - 402, próximo ao distrito do Coxipó do Ouro.
Fonte: acervo digital da Liga Escola de Geografia - LEG (2025).
REFERÊNCIAS
IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pedologia: Brasil – Informações ambientais. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/informacoes-ambientais/pedologia/10871-pedologia.html. Acesso em: 28 ago. 2025;
FARIA, Thiago de Oliveira; KUHN, Caiubi Emanuel Souza; JESUZ, Cleberson Ribeiro de. Solos: importância e ocorrências em Mato Grosso. In: KUHN, Caiubi Emanuel Souza et al. (org.). História natural de Mato Grosso. 1. ed. Belo Horizonte: Federação Brasileira de Geólogos – FEBRAGEO, 2022. Cap. 7, p. 121–133. Disponível em: https://www.confea.org.br/midias/uploads-imce/9-Anexo%203%20-%20Livro%20Hist%C3%B3ria%20Natural%20de%20Mato%20Grosso.pdf. Acesso em: 22 ago. 2025;
MATO GROSSO: INTERMAT - Instituto de Terras de Mato Grosso. Base Cartográfica Digital do Estado de Mato Grosso: limite político administrativo do estado de Mato Grosso. Cuiabá: INTERMAT, 2025. Disponível em: https://intergeo.intermat.mt.gov.br/portal/apps/sites/#/portal-de-dados-cartograficos/pages/base-cartografica-mt-portal. Acesso em: 29 jul. 2025;
SANTOS, Mário Vital dos. Aspectos pedológicos da Folha Cuiabá – MIR 388 (SD.21-Z-C): memória técnica – parte 2: sistematização das informações temáticas – nível compilatório. Diagnóstico Sócio-Econômico-Ecológico do Estado do Mato Grosso. Cuiabá: CNEC – Engenharia S.A.; Governo do Estado de Mato Grosso / SEPLAN – PRODEAGRO, 2000. Disponível em: https://metadados.geo.mt.gov.br/geonetwork/srv/por/catalog.search#/metadata/151ab015-baf6-48fb-84e5-ed95ff42c2de. Acesso em: 01 ago. 2025;
THOMÉ FILHO, Jamilo José (org.). Sistema de Informação Geoambiental de Cuiabá, Várzea Grande e entorno – SIG. Organização: Jamilo J. Thomé Filho; Gilberto Scislewski; Edgar Shinzato; Gustavo A. Rocha; Marcelo Dantas; Prudêncio R. Castro Jr.; Eric S. Araújo; Denise C. R. Melo; Regina Célia Gimenez Armesto; Lígia Maria Nascimento de Araújo. Goiânia: CPRM, 2004. (Convênio CPRM/SICME). Disponível em: https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/14801. Acesso em: 01 ago. 2025.