HABILIDADES - BNCC
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Nesta página, você conhecerá os principais compartimentos de relevo do município de Cuiabá, identificando as unidades geomorfológicas que compõem a paisagem local. A partir da análise do mapa hipsométrico, será possível compreender as variações de altitude do território e como o relevo influencia na ocupação urbana e no uso da terra. Os conteúdos abordados permitem o desenvolvimento de habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de forma contextualizada à Geografia local de Cuiabá, contemplando o Ensino Fundamental Anos Finais e respeitando o currículo nacional e valorizando o território vivido pelos estudantes. Os temas abordados nesta página, podem ser adaptados também, para o Ensino Fundamental Anos Iniciais e o Ensino Médio.
Habilidades - Ensino Fundamental Anos Finais (6° ao 9° ano):
(EF06GE05) Relacionar padrões climáticos, tipos de solo, relevo e formações vegetais.
(EF07GE09) Interpretar e elaborar mapas temáticos e históricos, inclusive utilizando tecnologias digitais, com informações demográficas e econômicas do Brasil (cartogramas), identificando padrões espaciais, regionalizações e analogias espaciais.
(EF08GE23) Identificar paisagens da América Latina e associá-las, por meio da cartografia, aos diferentes povos da região, com base em aspectos da geomorfologia, da biogeografia e da climatologia.
(EF09GE07) Analisar os componentes físico-naturais da Eurásia e os determinantes histórico-geográficos de sua divisão em Europa e Ásia.
(EF09GE14) Elaborar e interpretar gráficos de barras e de setores, mapas temáticos e esquemáticos (croquis) e anamorfoses geográficas para analisar, sintetizar e apresentar dados e informações sobre diversidade, diferenças e desigualdades sociopolíticas e geopolíticas mundiais.
(EF09GE16) Identificar e comparar diferentes domínios morfoclimáticos da Europa, da Ásia e da Oceania.
RELEVO DO MUNICÍPIO DE CUIABÁ
Prof. Me. Samuel Matiazo
Disc. Davi Silva Martinelli
Disc. Matheus Farias Cruz
Prof. Dr. Dener Toledo Mathias
A paisagem do município de Cuiabá é resultado de um processo natural e contínuo, formado ao longo de milhões de anos pela ação do clima e da erosão, bem como pelos movimentos internos da Terra, como o tectonismo e o metamorfismo, que moldaram o relevo e as rochas da região. Embora a paisagem não mude de forma brusca de um lugar para outro, o território cuiabano apresenta características bem definidas no relevo, que ajudam a compreender como ele se organiza.
A Geomorfologia é a ciência que estuda as formas da superfície terrestre e os processos que as modelam, permitindo identificar os compartimentos de relevo, como planaltos, planícies e depressões, definidos por características morfológicas (formas) e topográficas (altitude) semelhantes. A partir desses compartimentos, são reconhecidas as unidades de relevo, que representam subdivisões mais detalhadas, formadas pela ação de processos como erosão e sedimentação. No mapa temático do Relevo de Cuiabá - MT, é possível observar como esses compartimentos e unidades de relevo se distribuem e se relacionam no espaço municipal e regional, contribuindo para a formação da paisagem que observamos no nosso dia a dia.
Erosão: é o processo de desgaste e transporte de materiais (solo e rochas) pela ação da água, do vento ou do gelo.
Tectonismo: é o conjunto de movimentos da crosta terrestre, causados pela dinâmica das placas tectônicas, que provocam dobramentos, falhamentos e deslocamentos das rochas, moldando o relevo ao longo do tempo.
Planaltos: área do relevo com altitudes mais elevadas, onde predomina o desgaste do terreno pela erosão.
Planícies: área baixa e pouco inclinada, formada principalmente pela sedimentação, comum em regiões próximas a rios e mares.
Depressão: área do relevo com altitude inferior às regiões ao redor, podendo ser relativa ou absoluta (abaixo do nível do mar), geralmente moldada pela erosão.
Sedimentação: é o processo de deposição de materiais em áreas mais baixas, formando novos depósitos e paisagens ao longo do tempo.
A Depressão Cuiabana é o compartimento de relevo que mais se destaca no município, formada principalmente sobre as rochas metassedimentares do Grupo Cuiabá. Apresenta superfícies suavizadas com colinas e morros baixos (Figuras 1 e 2). Um exemplo marcante na paisagem urbana e rural de Cuiabá, é o Morro de Santo Antônio (Figura 3), considerado um Inselberg, uma formação rochosa isolada localizada na porção limítrofe com o município de Santo Antônio de Leverger, ponto elevado que permite visualizar a transição entre áreas rebaixadas - Pantanal Mato-grossense - e áreas mais elevadas do município - Planalto e Chapada dos Guimarães; Planalto do Arruda - Mutum (Figura 4). A leste, essa superfície encontra uma mudança mais abrupta, marcada pela escarpa do Planalto e Chapada dos Guimarães, um imponente paredão natural de rocha. Essa escarpa, indica a transição entre a Depressão Cuiabana para o Planalto e Chapada dos Guimarães, onde o terreno fica mais elevado e plano com a presença de rochas sedimentares, como a Formação Botucatu e Furnas, visíveis nos paredões rochosos (6).
Chapada: tipo de planalto caracterizado por topos planos e extensos e bordas escarpadas, muito comum no Brasil Central, como as chapadas do Cerrado.
Escarpa: é uma encosta íngreme ou abrupta do relevo, geralmente formada pela erosão ou por movimentos tectônicos, marcando o limite entre áreas de diferentes altitudes, como entre um planalto e uma depressão.
Figura 1 . Relevo com colinas e morros baixos da Depressão Cuiabana: vista parcial da rodovia MT - 251 e da área urbana de Cuiabá.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 2. Vista parcial da Depressão Cuiabana a partir da Chapada dos Guimarães, com destaque para o Morro de Santo Antônio, considerado um Inselberg.
Fonte: acervo digital do Prof. Dr. Dener Toledo Mathias (2024).
Figura 2. Vista parcial do Morro de Santo Antônio: formação rochosa isolada (Inselberg). Limite natural entre os municípios de Cuiabá e Santo Antônio de Leverger.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 4. Vista parcial da Escarpa do Planalto e Chapada dos Guimarães: ruptura abrupta de altitude entre a Depressão Cuiabana (1) e o Planalto e Chapada dos Guimarães (2). Limite natural entre os municípios de Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - (2025).
Figura 5. Vista parcial da Escarpa do Planalto e Chapada dos Guimarães com a presença de rochas de coloração clara da Formação Furnas. Limite natural entre os municípios de Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
Fonte: acervo digital do Prof. Dr. Dener Toledo Mathias (2023).
Figura 6. Vista parcial do distrito de Aguaçu com destaque, ao fundo, para o Planalto do Arruda - Mutum.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Ao sul do município de Cuiabá, na porção limítrofe com Santo Antônio de Leverger, o relevo se torna mais plano, representado pelas Planícies e Pantanais dos Rios Paraguai e Cuiabá (Pantanal Mato-grossense), formada por sedimentos depositados pelos rios (Figuras 5 e 6). Há ainda, mais distante, em municípios da Região Geográfica Imediata de Cuiabá, a oeste, a Província Serrada, formada por serras residuais (Figuras 7, 8 e 9). Esses compartimentos e unidades de relevo mostram que a paisagem de Cuiabá está ligada a um contexto mais abrangente: primeiro ao estado de Mato Grosso, depois ao Brasil e, por fim, à América do Sul. Isso significa que o relevo local faz parte de uma história geológica ampla, compartilhada com outras regiões do continente.
Pantanal: é a maior planície alagável do mundo, localizada principalmente no Centro-Oeste do Brasil (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), estendendo-se também à Bolívia e ao Paraguai. Caracteriza-se pelo regime de cheias e secas, que inunda grandes áreas durante parte do ano, formando ambientes variados como rios, lagoas e campos alagados.
Serras residuais: são elevações do relevo que permanecem após longos processos de erosão, quando áreas ao redor foram mais desgastadas. Elas representam restos de antigos planaltos ou superfícies elevadas, geralmente formadas por rochas mais resistentes.
Figura 5. Relevo plano das Planícies e Pantanais dos Rios Paraguai e Cuiabá (Pantanal Mato-grossense): vista parcial da BR - 364 entre os municípios de Cuiabá e Santo Antônio de Leverger.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 6. Relevo plano das Planícies e Pantanais dos Rios Paraguai e Cuiabá (Pantanal Mato-grossense): vista parcial da zona rural entre os municípios de Cuiabá e Santo Antônio de Leverger. Ao fundo, o Planalto e Chapada dos Guimarães.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 7. Vista parcial da Província Serrana - Serras Residuais - no município de Nobres (Região Imediata de Cuiabá).
Fonte: acervo digital do Prof. Dr. Dener Toledo Mathias (2021).
Figura 8. Vista parcial da Província Serrana - Serras Residuais (Região Imediata de Cuiabá).
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 9. Vista parcial da Província Serrana - Serras Residuais - no município de Nobres (Região Imediata de Cuiabá).
Fonte: acervo digital do Prof. Dr. Dener Toledo Mathias (2022).
HIPSOMETRIA DO MUNICÍPIO DE CUIABÁ
O Mapa Hipsométrico do município de Cuiabá mostra as diferenças de altitude do relevo a partir de cores. Nele, é possível perceber que a maior parte da área urbana e rural do município está situada entre 115 e 315 metros de altitude, o que corresponde à Depressão Cuiabana (tons de verde). Essa porção apresenta superfícies mais baixas e suavizadas, resultado de longos processos de erosão do relevo ao longo do tempo. À medida que nos afastamos dessa área central, especialmente no sentido leste e nordeste, as altitudes começam a aumentar, indicando a transição para terrenos mais elevados, ou seja, para o Planalto e Chapada dos Guimarães.
No Planalto e Chapada dos Guimarães, as altitudes ultrapassam os 800 metros, formando um contraste visível no mapa com tons de cores mais escuros: é a área onde o terreno se eleva de forma mais marcante, refere-se ao paredão (escarpa) rochoso que diferencia e limita o planalto da depressão. Já a Província Serrana, a oeste, também apresenta altitudes mais elevadas, reforçando essa diferença entre as bordas altas e o centro rebaixado, característica que define a Depressão Cuiabana como compartimento central do relevo regional. No mapa, na porção leste do município de Cuiabá, observa-se a letra A em destaque, que faz referência à Figura 8. Essa indicação evidencia a diferença de altitude e a transição entre formas de relevo, permitindo compreender as variações topográficas presentes nessa área do município.
Hipsometria: é a representação das altitudes do relevo, geralmente feita por meio de cores em mapas, em que cores mais claras indicam áreas de menor altitude e cores mais escuras representam áreas de maior altitude.
Figura 8. A - Vista parcial do Distrito do Coxipó do Ouro, marcando a transição entre os compartimentos de relevo: Depressão Cuiabana e o Planalto/Chapada dos Guimarães.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
REFERÊNCIAS
IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Geomorfologia: Brasil – Informações ambientais. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/informacoes-ambientais/geomorfologia/10870-geomorfologia.html. Acesso em: 22 ago. 2025.
INPE — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. TOPODATA: banco de dados geomorfométricos do Brasil. São José dos Campos: INPE, 2008. Disponível em: http://www.dsr.inpe.br/topodata/index.php. Acesso em: 22 ago. 2025.
MATHIAS, Dener Toledo; JESUZ, Cleberson Ribeiro de. Os elementos do relevo mato-grossense: um caminhar pela geomorfologia e paisagem do Estado. In: KUHN, Caiubi Emanuel Souza et al. (org.). História natural de Mato Grosso. 1. ed. Belo Horizonte: Federação Brasileira de Geólogos – FEBRAGEO, 2022. Cap. 7, p. 121–133. Disponível em: https://www.confea.org.br/midias/uploads-imce/9-Anexo%203%20-%20Livro%20Hist%C3%B3ria%20Natural%20de%20Mato%20Grosso.pdf. Acesso em: 22 ago. 2025;
MATO GROSSO: INTERMAT - Instituto de Terras de Mato Grosso. Base Cartográfica Digital do Estado de Mato Grosso: limite político administrativo do estado de Mato Grosso. Cuiabá: INTERMAT, 2025. Disponível em: https://intergeo.intermat.mt.gov.br/portal/apps/sites/#/portal-de-dados-cartograficos/pages/base-cartografica-mt-portal. Acesso em: 29 jul. 2025;
THOMÉ FILHO, Jamilo José (org.). Sistema de Informação Geoambiental de Cuiabá, Várzea Grande e entorno – SIG. Organização: Jamilo J. Thomé Filho; Gilberto Scislewski; Edgar Shinzato; Gustavo A. Rocha; Marcelo Dantas; Prudêncio R. Castro Jr.; Eric S. Araújo; Denise C. R. Melo; Regina Célia Gimenez Armesto; Lígia Maria Nascimento de Araújo. Goiânia: CPRM, 2004. (Convênio CPRM/SICME). Disponível em: https://rigeo.sgb.gov.br/handle/doc/14801. Acesso em: 01 ago. 2025.