HABILIDADES - BNCC
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Nesta página, você aprenderá sobre a hidrografia do município de Cuiabá, identificando os principais rios que drenam o território, com destaque para o Rio Cuiabá e seus afluentes urbanos. A análise do mapa e das imagens, permitirá compreender a relação entre a rede de drenagem, o relevo e o uso da terra, além dos impactos da urbanização, como a poluição, a canalização, o assoreamento e as alterações nas margens dos cursos d’água. Os conteúdos abordados permitem o desenvolvimento de habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de forma contextualizada à Geografia local de Cuiabá, contemplando o Ensino Fundamental Anos Finais e respeitando o currículo nacional e valorizando o território vivido pelos estudantes. Os temas abordados nesta página, podem ser adaptados também, para o Ensino Fundamental Anos Iniciais e o Ensino Médio.
Habilidades - Ensino Fundamental Anos Finais (6° ao 9° ano):
(EF06GE04) Descrever o ciclo da água, comparando o escoamento superficial no ambiente urbano e rural, reconhecendo os principais componentes da morfologia das bacias e das redes hidrográficas e a sua localização no modelado da superfície terrestre e da cobertura vegetal.
(EF06GE05) Relacionar padrões climáticos, tipos de solo, relevo e formações vegetais.
(EF06GE12) Identificar o consumo dos recursos hídricos e o uso das principais bacias hidrográficas no Brasil e no mundo, enfatizando as transformações nos ambientes urbanos.
(EF07GE09) Interpretar e elaborar mapas temáticos e históricos, inclusive utilizando tecnologias digitais, com informações demográficas e econômicas do Brasil (cartogramas), identificando padrões espaciais, regionalizações e analogias espaciais
(EF08GE15) Analisar a importância dos principais recursos hídricos da América Latina (Aquífero Guarani, Bacias do rio da Prata, do Amazonas e do Orinoco, sistemas de nuvens na Amazônia e nos Andes, entre outros) e discutir os desafios relacionados à gestão e comercialização da água.
(EF08GE17) Analisar a segregação socioespacial em ambientes urbanos da América Latina, com atenção especial ao estudo de favelas, alagados e zona de riscos.
(EF09GE07) Analisar os componentes físico-naturais da Eurásia e os determinantes histórico-geográficos de sua divisão em Europa e Ásia.
(EF09GE14) Elaborar e interpretar gráficos de barras e de setores, mapas temáticos e esquemáticos (croquis) e anamorfoses geográficas para analisar, sintetizar e apresentar dados e informações sobre diversidade, diferenças e desigualdades sociopolíticas e geopolíticas mundiais.
HIDROGRAFIA DO MUNICÍPIO DE CUIABÁ
Prof. Me. Samuel Matiazo
Disc. Pedro Joaquim de Souza Nunes Neto
A Hidrografia, é a ciência que estuda toda a água presente na Terra, seja superficial ou subterrânea. Ela mostra como a água se movimenta no território, de onde vem e para onde vai. Conhecer a hidrografia de um lugar é importante para entender como funciona o abastecimento de água, as áreas que podem alagar, o comportamento das chuvas e o planejamento das cidades. No município de Cuiabá, os rios fazem parte da paisagem e cumprem funções importantes. Eles ajudam a regular o clima, abastecem a população, preservam a vegetação das margens e sustentam a fauna aquática. Também refletem, as características do relevo, como nascentes nas áreas mais altas e o encontro das águas nas porções mais baixas. Além disso, foram caminhos naturais usados na ocupação humana desde o período colonial, tornando-se elementos culturais e históricos da região. O rio Cuiabá é o principal curso d’água do município e organiza toda a rede de drenagem local (Figuras 1 e 2).
Conforme o mapa, o rio Cuiabá margeia o território cuiabano desde a porção noroeste a sudoeste do município, recebendo vários afluentes da margem esquerda, com destaque para os rios Coxipó, Coxipó - Açu e Aricá - Açu, além de diversos outros afluentes e subafluentes que descem das porções mais altas do relevo, próximas do Planalto e Chapada dos Guimarães até desaguarem na parte mais baixa da Depressão Cuiabana, no Rio Cuiabá. Este sistema integra a Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá, que por sua vez é uma das principais sub-bacias da Bacia do Rio Paraguai. Ao observar o mapa da rede hidrográfica municipal, torna-se evidente a configuração desses cursos d’água como verdadeiros caminhos que convergem para o leito principal (Rio Cuiabá).
Nascente: são os locais onde a água subterrânea brota para a superfície, dando origem a um curso d'água, como um riacho ou um rio.
Rede de drenagem: conjunto de cursos d'água (rios, riachos, córregos) e caminhos superficiais formados pela natureza para o escoamento de águas fluviais, moldados pela topografia, clima e geologia.
Margeia: vem de margem, significa estar ou passar pela beira de algo.
Afluentes e subafluentes: afluentes são rios menores que deságuam em um rio principal, contribuindo para seu volume; já os subafluentes são ainda menores e deságuam nos próprios afluentes, alimentando-os e, indiretamente, o rio principal dentro de uma bacia hidrográfica.
Bacia hidrográfica: área geográfica delimitada pelo relevo, onde toda a água da chuva e nascentes converge para um rio principal e seus afluentes, desaguando em um ponto comum, como outro rio ou o mar, seguindo o padrão de drenagem natural do terreno, separadas por divisores de água (morros, serras).
Figura 1. Vista parcial do Rio Cuiabá, principal curso d´água do município de Cuiabá.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 2. Vista aérea do Rio Cuiabá, principal curso d´água do município de Cuiabá.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
RIOS PERENES E INTERMITENTES
No município de Cuiabá, os rios se comportam de maneira diferente ao longo do ano por causa do Clima Tropical de Savana, que possui duas estações bem definidas: um período chuvoso e outro seco. Durante os meses mais secos (maio a setembro), vários cursos d’água menores diminuem muito o volume ou chegam a secar completamente, como o Ribeirão Baús e o Rio Bandeira (Figuras 3 e 4). Esses rios são chamados de intermitentes, pois dependem diretamente das chuvas para manter sua vazão.
Por outro lado, os principais rios do município: Cuiabá, Coxipó, Coxipó-Açu, entre outros, continuam com a presença de água corrente durante todo o ano (Figuras 5 e 6). Eles são chamados de perenes, porque possuem água mesmo no período de estiagem, graças ao seu tamanho, às áreas de drenagem maiores e à presença de inúmeras nascentes. Esses rios são fundamentais para manter a vida ao redor, garantir o abastecimento e sustentar os ambientes naturais e humanos de Cuiabá.
O turismo nos rios perenes afluentes do rio Coxipó, localizados no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, destaca-se como uma importante atividade de lazer e contato com a natureza, com destaque para o Rio Claro, conhecido por suas águas transparentes e paisagens que atraem visitantes em busca de ecoturismo e turismo de contemplação (Figuras 7 e 8).
Vazão: é a medida da quantidade de água que passa por uma seção específica de um rio em um determinado intervalo de tempo. Não é apenas o quão rápido o rio corre, mas quanta massa de água ele está carregando naquele momento.
Figura 3. Vista parcial do leito seco do Ribeirão Baús, sem a presença de água corrente no período de seca, sendo classificado como intermitente.
Localização: Ribeirão Baús na MT - 010, limite natural entre os municípios de Cuiabá e Acorizal.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 4. Vista parcial do leito seco do Rio Bandeira, sem a presença de água corrente no período de seca, sendo classificado como intermitente.
Localização: MT - 010, entre a cidade de Cuiabá e o distrito da Guia.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 5. Vista parcial do Rio Cuiabá e da ponte Júlio Muller. Há a presença de água corrente durante o ano todo, sendo classificado como perene.
Localização: Bairro do Porto.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 6. Vista parcial do Rio Coxipó. Há a presença de água corrente durante o ano todo, sendo classificado como perene.
Localização: Bairro Cachoeira das Garças.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 7. Paisagem Natural do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, Cuiabá - MT.
Localização: Balneário Rio Claro, MT - 251.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 8. O Rio Claro - perene - é referência para a realização do ecoturismo.
Localização: Balneário Rio Claro, MT - 251.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
RIOS URBANOS E OS IMPACTOS AMBIENTAIS
Dentro da área urbana, destacam-se vários cursos d’água menores, como os córregos 8 de Abril, Barbado, Gambá, Prainha, Ribeirão da Ponte, São Gonçalo, entre outros. São rios que atravessam bairros e fazem parte do cotidiano da cidade, embora muitas vezes passem despercebidos. Eles têm papel importante na drenagem urbana, especialmente durante o período chuvoso - entre outubro e abril - mas também sofrem com problemas típicos das áreas urbanas, como a canalização, desmatamento das margens, ocupação desordenada, assoreamento e poluição por esgoto e resíduos sólidos (Figuras 9 e 10).
Na Avenida Tenente Coronel Duarte, onde está localizado o Córrego da Prainha, registra-se alagamentos recorrentes no período chuvoso por uma combinação de fatores ambientais e urbanos. O córrego da Prainha teve o seu leito amplamente canalizado e impermeabilizado durante a expansão urbana da cidade nas décadas de 1960 e 1970, o que reduziu a capacidade natural de infiltração e escoamento da água da chuva no solo. Esse modelo de canalização, hoje não comporta grandes volumes de chuva, especialmente em eventos intensos, resultando em acúmulo de água na avenida, que fica em um ponto mais baixo do terreno, recebendo o escoamento das áreas de vertentes mais altas e impermeabilizas (Figuras 11 e 12).
Drenagem urbana: conjunto de obras e ações que controlam o escoamento da água da chuva nas cidades, evitando alagamentos, enchentes e danos à infraestrutura urbana.
Canalização: intervenção que modifica o curso natural de rios ou córregos, conduzindo a água por canais artificiais, geralmente de concreto, para acelerar o escoamento.
Desmatamento das margens: retirada da vegetação das margens de rios e córregos, o que aumenta a erosão do solo, o assoreamento e o risco de enchentes.
Ocupação desordenada: uso da terra sem planejamento, comum em áreas de risco como margens de rios e encostas, aumentando problemas ambientais e sociais.
Assoreamento: acúmulo de sedimentos no leito de rios, lagos ou córregos, reduzindo sua profundidade e capacidade de escoamento da água.
Esgoto: resíduos líquidos provenientes de atividades domésticas, comerciais e industriais, que, quando lançados sem tratamento, poluem corpos d’água.
Resíduos sólidos: materiais descartados pelas atividades humanas, como lixo doméstico e industrial, que podem causar entupimentos, poluição e degradação ambiental.
Leito: parte mais baixa de um rio ou córrego por onde a água escoa, podendo variar conforme o volume de água ao longo do tempo.
Impermeabilização: cobertura da terra por materiais como asfalto e concreto, impedindo a infiltração da água da chuva e aumentando o escoamento superficial.
Infiltração: processo pelo qual a água da chuva penetra no solo, contribuindo para o abastecimento dos lençóis freáticos e reduzindo enchentes.
Vertentes: encostas ou áreas inclinadas do relevo, por onde a água da chuva escoa, sendo suscetíveis à erosão quando mal utilizadas.
Figura 9. Vista parcial do Córrego 8 de Abril com o seu leito canalizado.
Localização: Av. 8 de Abril.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 10. Vista parcial do Córrego 8 de Abril com a presença de esgoto e resíduos sólidos.
Localização: Av. 8 de Abril.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 11. Vista parcial do Córrego da Prainha com o seu leito canalizado e tampado.
Localização: Av. Tenente Coronel Duarte.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 12. Vista parcial da Avenida Tenente Coronel Duarte (Córrego da Prainha) alagada. Os alagamentos são recorrentes no período chuvoso (outubro a abril).
Localização: Av. Tenente Coronel Duarte.
Fonte: Fabiana Mendes - Olhar Direto Notícias (2023).
REFERÊNCIAS
LIMA, Eliana B. N. R.; SILVA, José Álvaro da; PRIANTE, Josita Correto da Rocha; BEZERRA, Maria Jacobina da Cruz; STRINGHINI, Viktor Antal. Introdução e contextualização. In: COMITÊ DE BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO CUIABÁ – MARGEM ESQUERDA (CBH Cuiabá-ME). Plano da Bacia Hidrográfica da Unidade de Planejamento e Gerenciamento do Alto Rio Cuiabá (UPG P-4): diagnóstico técnico participativo. Cuiabá: UFMT, 2022.
MATO GROSSO: INTERMAT - Instituto de Terras de Mato Grosso. Base Cartográfica Digital do Estado de Mato Grosso: limite político administrativo e massa d'água do estado de Mato Grosso. Cuiabá: INTERMAT, 2025. Disponível em: https://intergeo.intermat.mt.gov.br/portal/apps/sites/#/portal-de-dados-cartograficos/pages/base-cartografica-mt-portal. Acesso em: 29 jul. 2025.
MENDES, Fabiana. Temporal deixa Prainha inundada e causa transtornos em Cuiabá; veja vídeo. Olhar Direto, 11 mar. 2023. Disponível em: https://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=515447¬icia=temporal-deixa-prainha-inundada-e-causa-transtornos-em-cuiaba-veja-video. Acesso em: 12 jan. 2026.