HABILIDADES - BNCC
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Nesta página, você conhecerá os principais locais históricos que fizeram parte da formação do município de Cuiabá, compreendendo o processo de ocupação do território a partir dos primeiros assentamentos (São Gonçalo Beira Rio, Coxipó do Ouro e Córrego da Prainha), e a contribuição desses espaços geográficos para a origem da cidade, a circulação de pessoas, a atividade mineradora e a organização urbana ao longo do tempo. Os conteúdos abordados permitem o desenvolvimento de habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), de forma contextualizada à Geografia e à História local de Cuiabá, contemplando o Ensino Fundamental Anos Finais e respeitando o currículo nacional e valorizando o território vivido pelos estudantes. Os temas abordados nesta página, podem ser adaptados também, para o Ensino Fundamental Anos Iniciais e o Ensino Médio.
Habilidades - Ensino Fundamental Anos Finais (6° ao 9° ano):
HISTÓRIA
(EF06HI0) Analisar modificações de paisagens por diferentes tipos de sociedade, com destaque para os povos originários.
GEOGRAFIA
(EF06GE02) Analisar modificações de paisagens por diferentes tipos de sociedade, com destaque para os povos originários.
(EF06GE08) Medir distâncias na superfície pelas escalas gráficas e numéricas dos mapas.
(EF07GE01) Avaliar, por meio de exemplos extraídos dos meios de comunicação, ideias e estereótipos acerca das paisagens e da formação territorial do Brasil.
(EF07GE03) Selecionar argumentos que reconheçam as territorialidades dos povos indígenas originários, das comunidades remanescentes de quilombos, de povos das florestas e do cerrado, de ribeirinhos e caiçaras, entre outros grupos sociais do campo e da cidade, como direitos legais dessas comunidades.
(EF07GE09) Interpretar e elaborar mapas temáticos e históricos, inclusive utilizando tecnologias digitais, com informações demográficas e econômicas do Brasil (cartogramas), identificando padrões espaciais, regionalizações e analogias espaciais.
(EF09GE14) Elaborar e interpretar gráficos de barras e de setores, mapas temáticos e esquemáticos (croquis) e anamorfoses geográficas para analisar, sintetizar e apresentar dados e informações sobre diversidade, diferenças e desigualdades sociopolíticas e geopolíticas mundiais.
HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE CUIABÁ
Prof. Me. Cléia Batista da Silva Melo
Prof. Me. Samuel Matiazo
A história de Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, está diretamente ligada à ocupação do território e à formação de seu espaço geográfico ao longo do tempo. Desde o período colonial, a cidade se desenvolveu a partir de locais que desempenharam papéis importantes nos aspectos históricos, culturais, econômicos e sociais, muitos dos quais permanecem como referências nas diversas paisagens da atualidade. O mapa a seguir, apresenta os principais locais históricos de Cuiabá em diferentes escalas - São Gonçalo Beira Rio; Coxipó do Ouro e Córrego da Prainha - permitindo compreender como esses espaços geográficos se distribuem no território municipal e como contribuíram para a construção da identidade cuiabana.
Espaço Geográfico: é o espaço onde as pessoas vivem e realizam suas atividades. Ele é formado pela natureza (rios, relevo, clima, vegetação) e pelas ações humanas (casas, cidades, estradas, plantações). O espaço geográfico muda ao longo do tempo porque os seres humanos transformam a natureza para morar, trabalhar, se locomover e produzir.
Paisagem: a paisagem natural ou modificada pelo homem, é tudo aquilo que podemos ver, ouvir, sentir ou perceber de um local.
Escala: a escala de um mapa é a relação de proporção matemática entre as medidas dos objetos representados no papel (ou tela) e suas dimensões reais na superfície terrestre. Ela indica quantas vezes a realidade foi reduzida para caber no mapa, permitindo o cálculo de distâncias, sendo essencial em cartografia.
Identidade: conjunto de características únicas que definem um indivíduo, grupo ou coisa, permitindo seu reconhecimento e diferenciação, abrangendo desde o documento oficial (RG) com dados pessoais (nome, data de nascimento) até a construção social e cultural (história, língua, costumes), sendo algo dinâmico, moldado por fatores internos (biológicos) e externos (sociedade, cultura).
ARRAIAL DE SÃO GONÇALO VELHO
Bairro São Gonçalo Beira Rio
Em 1719 a bandeira de Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro nas margens do Rio Coxipó. A partir de então, a região foi ocupada para exploração do ouro de aluvião, dando início a formação do primeiro arraial de Mato Grosso, o Arraial de São Gonçalo Velho (Figura 1). Na década de 1970, o antigo arraial e agora bairro, passou a se chamar São Gonçalo Beira Rio (Figuras 2 e 3). Até a chegada dos primeiros bandeirantes, a região foi habitada por povos indígenas em sua maioria Coxiponés. Nome a qual levou o rio Coxipó, onde os primeiros bandeirantes encontraram o ouro de aluvião. Esses povos originários dedicavam-se à pesca, caça e agricultura, ligadas ao rio. Após intensos conflitos com os bandeirantes, os Coxiponés foram extintos.
Ouro: é um metal precioso encontrado na natureza, usado desde a Antiguidade para fabricar moedas, joias e objetos de valor.
Aluvião: é o acúmulo de sedimentos (areia, argila, silte e cascalho) transportados pela água, principalmente pelos rios.
Ouro de Aluvião: é o ouro que se encontra em depósitos recentes, móveis ou soltos, espalhados por rios, córregos, leitos e margens, geralmente misturado a areia, silte e cascalho. Diferente do ouro em veios de rochas (ou primário), ele não está preso a uma matriz rochosa, sendo resultado do processo de erosão e transporte.
Bandeirantes: foram exploradores, caçadores de índios e desbravadores do interior do território brasileiro, principalmente entre os séculos XVI e XVIII. Surgiram em São Paulo e partiram em expedições chamadas “bandeiras” para além do território português estabelecido pelo Tratado de Tordesilhas.
Coxiponés: foram os povos originários que habitavam as margens do Rio Coxipó, na região de Cuiabá, Mato Grosso, há milhares de anos. Eles resistiram bravamente aos bandeirantes no século XVIII, com destaque para a vitória sobre Pascoal Moreira Cabral em 1718, influenciando diretamente a fundação da capital mato-grossense.
Extinção: algo que deixou de existir, que não está mais presente no meio natural, social ou cultural.
Figura 1. Representação artística do Arraial de São Gonçalo Velho.
Fonte: Moacyr Freitas. Cuiabá: de arraial a vila real: história ilustrada (2021).
Figura 2. Vista parcial do Bairro São Gonçalo Beira Rio.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 3. Paisagem Simbólica do Bairro São Gonçalo Beira Rio, localizado às margens do Rio Cuiabá, apresenta uma paisagem que vai muito além de seus aspectos físicos, refletindo memórias, tradições e valores culturais construídos ao longo do tempo.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
ARRAIAL DA FORQUILHA
Distrito do Coxipó do Ouro
Por volta de 1721, novas jazidas de ouro foram descobertas na região do rio Coxipó acima (montante), no encontro entre o rio Coxipó e o rio Mutuca, surgindo então um novo arraial, o Arraial da Forquilha (Figura 4). Devido a quantidade de ouro encontrada naquele local, a região ficou conhecida como Coxipó do Ouro. Este segundo arraial, mais tarde se tornaria o que é atualmente o Distrito do Coxipó do Ouro (Figuras 5, 6 e 7).
Jazidas de ouro: é um local onde o ouro está concentrado na natureza, em rochas ou sedimentos, e pode ser extraído pelo ser humano.
Montante: o trecho a montante de um rio é a região mais próxima da nascente, onde a água começa a fluir. É a parte mais alta do curso do rio e está sempre “contra a corrente”, ou seja, indo em direção à nascente. O contrário de montante é jusante, que indica a direção da foz.
Figura 4. Representação artística do Arraial da Forquilha.
Fonte: Moacyr Freitas. Cuiabá: de arraial a vila real: história ilustrada (2021).
Figura 5. Igreja Nossa Senhora Da Penha de França. Distrito do Coxipó do Ouro, Cuiabá - MT.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 6. Vista parcial do distrito Coxipó do Ouro localizado na depressão cuiabana. Ao fundo, transição de relevo para o Planalto e Chapada dos Guimarães.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 7. Vista parcial do distrito do Coxipó do Ouro. Ao fundo, relevo suave ondulado da Depressão Cuiabana.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
ARRAIAL DO SENHOR BOM JESUS DE CUIABÁ
Cidade de Cuiabá
Em 1722 o bandeirante Miguel Sutil enviou dois indígenas escravizados para a região do córrego da Prainha, em busca de mel. Porém, ao retornar, os indígenas trouxeram consigo algumas pepitas de ouro encontradas nas margens do córrego. Estava descoberto o maior veio aurífero de Mato Grosso. A descoberta desse ouro de aluvião em grande quantidade, no antigo córrego da Prainha, onde hoje está localizada a Igreja do Rosário e São Benedito, fez com que uma grande leva de exploradores ocupassem a região, dando origem ao terceiro arraial de Mato Grosso, o Arraial do Senhor Bom Jesus de Cuiabá (Figuras 8, 9 e 10). Mais tarde, como forma de controle do governo português, o arraial foi elevado a categoria de vila no ano de 1727, passando a se chamar Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Em 1818, a vila foi elevada a condição de cidade, com a denominação de Cuiabá, e tornou-se a capital da então província de Mato Grosso no dia 28 de agosto de 1835.
O Córrego da Prainha, onde foi descoberto o maior veio aurífero de Mato Grosso, e onde se moldou a cidade de Cuiabá, era habitado por indígenas das etnias Paiaguá e Bororo. Essa última era predominante na região (Figuras 11 e 12). O córrego era chamado por esses indígenas de Ikuié-bo (Água das Estrelas). Era nesse córrego que os Bororos desenvolviam sua pesca com uso de flecha e arpão. Assim como os Coxiponés, também lutaram contra a invasão dos bandeirantes paulistas. Porém, não foram totalmente exterminados como a outra etnia (Coxiponés) e resistiram e contribuíram para a formação da história e da sociedade cuiabana.
Pepita: é um pedaço natural de ouro, encontrado na natureza, geralmente nos leitos e margens dos rios.
Veio aurífero: é uma faixa ou linha de rocha onde o ouro está concentrado, geralmente encontrada no interior das rochas.
Etnia: é o conjunto de pessoas que compartilham origem histórica, cultura, tradições, língua, costumes e identidade em comum. Diferente do conceito biológico de raça, a etnia está ligada aos aspectos culturais e sociais, como modo de vida, crenças e relação com o território.
Paiaguá: os Paiaguás (ou Payaguás) eram um povo indígena guerreiro, conhecidos como "índios canoeiros", que habitavam o Alto Rio Paraguai (Pantanal), temidos por atacarem as monções dos bandeirantes e serem mestres na navegação fluvial.
Bororo: o povo Bororo (ou Boe) é um grupo indígena tradicional do Mato Grosso, Brasil, conhecido por sua rica vida cerimonial, organização social complexa e pelo formato circular de suas aldeias, com um pátio central ("Bororo" significa "pátio da aldeia"). Eles habitam a região há milênios, falam a língua Boe (tronco Macro-Jê) e enfrentam lutas territoriais, mas mantêm vivas suas tradições de caça, pesca e rituais, buscando preservar sua cultura e identidade.
Figura 8. Imagem de uma antiga ponte sobre o córrego da prainha, onde hoje é a Avenida Tenente Coronel Duarte; Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São Benedito ao fundo.
Fonte: Castro Faria. Misc/ Iphan.
Figura 9. Vista parcial da Avenida Tenente Coronel Duarte e da Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.
Fonte: Street View/Google Maps (2025).
Figura 10. Vista parcial da Avenida Tenente Coronel Duarte (Córrego da Prainha) e do Centro Histórico de Cuiabá.
Fonte: acervo digital da Liga Escolar de Geografia - LEG (2025).
Figura 11. Etnia Bororo.
Foto: Luís Donisete Benzi Grupioni, 1986 .
Fonte: Instituto Sociambiental - ISA..
Figura 12. Organização Social - Aldeia Bororo.
Foto: Sylvia Caiuby Novaes, 1971.
Fonte: Instituto Sociambiental - ISA.
REFERÊNCIAS
ISA, Instituto Socioambiental. Povos Indígenas no Brasil - Boe (Bororo). Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Boe_(Bororo). Acesso em: 15 dez. 2026.
FREITAS, Moacyr. Cuiabá: de arraial a vila real: história ilustrada. Cuiabá: Entrelinhas, 2021.
MATO GROSSO: INTERMAT - Instituto de Terras de Mato Grosso. Base Cartográfica Digital do Estado de Mato Grosso: limite político administrativo do estado de Mato Grosso. Cuiabá: INTERMAT, 2025. Disponível em: https://intergeo.intermat.mt.gov.br/portal/apps/sites/#/portal-de-dados-cartograficos/pages/base-cartografica-mt-portal. Acesso em: 29 jul. 2025.
PEREIRA, Marcelo Eduardo E ROMANCIN Sônia Regina. Toponímias de Cuiabá: os logradouros do Centro Histórico. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso: v. 1 n. 85 (2023).
SIQUEIRA, Elizabeth Madureira "História de Mato Grosso: da Ancestralidade aos Dias Atuais" · Editora Entrelinhas: Cuiabá, 2002.
VIEIRA, Juliana Michaela Leite e MOREIRA, Benedito Dielcio. Comunidade ribeirinha São Gonçalo Beira Rio: vila histórica, rota cultural, turística e gastronômica de Cuiabá. In: Anais do 5° Simpósio Científico ICOMOS Brasil e 2° Simpósio Cientifico ICOMOS/LAC. Anais...Belo Horizonte (MG) UFMG, 2022.